Pesquisar este blog

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Paraisópolis: Em favelas de SP, moradores relatam reajustes no aluguel de até 50%

Fonte: G1_Globo
15/09/2014 06h48
Amanda Previdelli

No mercado formal, as altas nos contratos não chegam a 10% em média. Demanda, informalidade e infraestrutura influenciam altas nas favelas.

                                                                                                               (Foto: Amanda Previdelli/G1)

Em Paraisópolis, onde moram cerca de 100 mil pessoas, os aluguéis chegam a R$ 600 por dois cômodos 
Em 2011, Zilda pagava R$ 350. Hoje, paga quase o dobro: R$ 600. Relatos de moradores como ela mostram que o aluguel em favelas como Paraisópolis e Heliópolis, ambas na Zona Sul, subiu até 50% entre 2013 e 2014. O reajuste está muito acima do registrado no mesmo período para imóveis residenciais legalizados da cidade, que ficou em 9,3%, segundo pesquisa do Sindicato da Habitação (Secovi).

Líderes comunitários das duas favelas confirmam os aumentos indiscriminados. “As pessoas não aguentam mais porque pagavam R$ 400 antes, e agora pagam R$ 600. Já os salários continuam os mesmos, R$ 1.000 ou R$ 1.100”, diz Manoel Otaviano, responsável por programas de moradia da União de Núcleos, Associações e Sociedades de Moradores de Heliópolis (Unas). “Aqui dentro aumentou a valorização, mas como o pessoal não tem a escritura, cada um faz o seu preço, não tem valor de mercado”, acrescenta.

Em Paraisópolis, o diretor da União dos Moradores, Isaac Bezerra, relata aumentos anuais de R$ 100 a R$ 200. “E o auxílio-aluguel continua R$ 400”, afirma. A ajuda é concedida pela prefeitura para pessoas removidas de suas casa por causa de obras públicas, por determinação judicial ou porque vivam em áreas de risco. A prefeitura também diz que está fazendo investimentos em moradia em favelas de SP (veja nota no final da reportagem).

Sem alternativa, os moradores acabam gastando mais da metade do salário no aluguel. “Com os descontos, meu salário dá uns R$ 930, e gasto R$ 500 com aluguel. Não dá para comprar carro, não dá para pagar uma faculdade, vai tudo no aluguel, é um dinheiro que não tem retorno”, conta a auxiliar de limpeza Beatriz Oliveira da Silva, de 27 anos. Há dois anos ela mora em um imóvel de dois cômodos (quarto e cozinha) com o marido e um filho em Heliópolis.

Sem contrato

Ela e a amiga Cleidiane Ricarda de Oliveira, auxiliar de cozinha de 26 anos que mora com o marido e duas filhas em uma casa de alvenaria de dois cômodos, pagam o aluguel em dinheiro, diretamente para o proprietário. “Não tem contrato, nunca fiz. Tenho que sair a qualquer momento, se ele [o dono do imóvel] mandar. E ele aumenta o que ele quiser. Fala que, se a gente não quiser, tem outros que querem”, conta Cleidiane.

A informalidade do mercado imobiliário das favelas está entre os principais fatores da disparada dos aluguéis nessas regiões. Quando há um contrato formal, o valor não pode aumentar mais do que o índice acordado durante o período de vigência do documento. "No informal, a diferença é que você não espera o término, e a qualquer momento esse preço aumenta. Isso é ruim para o morador, pois ele está exposto a uma renovação forçada”, explica o economista da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) Eduardo Zylberstajn.

Segundo o advogado Marcelo Tapai, especialista em Direito Imobiliário e Consumidor, é comum a prática de “contratos verbais”, e eles não estão fora da legalidade. Entretanto, com o contrato verbal “fica difícil provar o que foi acordado entre as partes”, e o locatário sai prejudicado na maioria das vezes, explica.

Mesmo sem um contrato formal, o aumento indiscriminado é ilegal, afirma o advogado. “O locador não pode aumentar assim. Ele deveria estabelecer na formação do contrato, ainda que verbal, qual o índice que vai regular e qual o período de vigência e de reajuste. Existe aí um mercado paralelo que não obedece legislação nenhuma", afirma Tapai. Assim, acaba valendo a "lei do mais forte", afirma o advogado. "Se ele [o locador] percebe que há um número muito grande de interessados, depois de seis meses ele dobra o aluguel mesmo.”

Oferta e demanda
A explicação mosta que as favelas também são influenciadas pelos fatores que regulam o mercado formal, como a relação oferta-demanda. Eduardo Zylberstajn explica que a infraestrutura urbana é limitada, e as pessoas têm poucas alternativas de moradia. Enquanto isso, a demanda só aumenta – por questões demográficas e de renda.

Só entre 2010 e 2014, São Paulo ganhou 642.390 novos habitantes, segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No mesmo período, o salário mínimo aumentou de R$ 510 para R$ 724. Assim, mais pessoas buscam moradia em São Paulo e mais pessoas têm dinheiro para pagar um aluguel. Por isso, o valor dos imóveis tende a aumentar.

Por causa dos aumentos indiscriminados, Zilda já pensou em deixar Paraisópolis e ir para ocupações organizadas pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST).

Desde que foi removida de casa pela Prefeitura por estar em zona de risco, há dois anos, aguarda na fila para moradia popular – e espera que o apartamento prometido seja entregue antes da filha dela, de 5 anos, ficar mais velha. “Quando é que vai sair esse apartamento? Minha filha está crescendo e quando vai vir? Quando ela tiver 10, 15 anos? É bem repugnante essa situação”, afirma.

Casa própria
O aumento da despesa com moradia torna cada vez mais distante uma casa própria para o morador da favela. A auxiliar de limpeza Beatriz nem se inscreveu na lista dos que buscam moradia popular do Movimento Sem Teto de Heliópolis. “Já tem gente demais, tem pessoas com dez anos de fila”, diz. 

Já Cleidiane disse que tentou entrar em projetos sociais para conseguir moradia. “Mas tem uns que cobram. Daí vou pagar aluguel e ainda pagar para ficar na fila?”, questiona.

A educadora Vera Lúcia dos Santos, de 44 anos, que vive há oito em uma casa alugada em Heliópolis, tem mais esperanças. Ela está há três anos na lista dos Sem Teto de Heliópolis.

“Eu acredito, sim, que vou sair do aluguel. À medida que o tempo vai passando, a gente fica mais próximo disso. A luta é grande, mas a gente tem visto também muita conquista de imóvel”, conta. Atualmente, 40% do salário de Vera é gasto com aluguel.

Secretaria da Habitação
Questionada sobre as informações da reportagem, a Prefeitura enviou uma nota na qual explica como funciona o auxílio-aluguel e aponta os investimentos para moradia popular promovidos pela Secretaria da Habitação nas regiões de Heliópolis e Paraisópolis.

Confira a nota na íntegra:

“O valor do auxílio-aluguel é definido por lei pelo Conselho Municipal de Habitação, empossado em março deste ano, composto pelo poder público, sociedade civil e movimentos de moradia eleitos. A secretaria não tinha Conselho desde 2011, quando o processo eleitoral foi impugnado pelo Ministério Público. Apenas em 2013 a secretaria conseguiu retomar os trabalhos para a eleição do novo Conselho, que vai atuar no biênio 2014/2016. 

O auxílio é pago em três casos: remoção de famílias afetadas por obras públicas, por determinação judicial e famílias localizadas em áreas de risco iminente. Atualmente, cerca de 30 mil famílias recebem o auxilio-aluguel no valor de aproximadamente R$ 300, e a listagem completa dessas famílias pode ser conferida no site que apresenta o planejamento habitacional da cidade: www.habisp.inf.br. As famílias recebem o auxilio até a entrega da unidade definitiva.

Paraisópolis
A Secretaria Municipal de Habitação vai beneficiar cerca de 20 mil famílias com obras de urbanização na região de Paraisópolis. Para essas ações estão sendo investidos cerca de R$ 90 milhões. São R$ 37,3 milhões do Governo Federal, através do PAC, R$ 55,4 milhões da PMSP, e R$ 208 mil da Sabesp.

Serão nove áreas de intervenção. São elas: Pavilhão Social, Viaduto Rua Pasquale, Pq. Sanfona, Muros de Contenção, Central de Triagem, Escola da Música, Canalização do Córrego Antonico, Canalização do Córrego Jardim Colombo, obras na Av Avenida Perimetral, e a instalação de coletores-tronco de esgoto. As obras têm previsão de término para 2016, menos a Central de Triagem/Ecoponto e o Pavilhão Social, que serão entregues no primeiro semestre de 2014.

Heliópolis
Desde o ano passado, já foram entregues na comunidade de Heliópolis 200 unidades, no Empreendimento Heliópolis Gleba H. Outra obra, finalizada em abril de 2014, foi a canalização de 880 metros do córrego da Independência/Viela das Gaivotas. Essas duas intervenções tiveram um investimento total de aproximadamente R$ 77,8 milhões.

Está prevista a construção de mais 1.860 unidades habitacionais em cinco empreendimentos da comunidade: área da Sabesp 2, Sabesp 1, Estrada das Lágrimas, Condomínio B da Gleba G e o Conjunto São Pedro e Liviero.

Conjuntos que serão construídos em Heliópolis até 2016:
Sabesp 2: 1.200 unidades
Sabesp 1: 152 unidades
Estrada das Lágrimas: 187 unidades
Gleba G (2° etapa): 221 unidades
São Pedro e Liviero: 100 unidades

Ainda com previsão de término para 2016, serão instalados os serviços de infraestrutura na Gleba K de Heliópolis – redes de água e esgoto, drenagem e pavimentação. Também será concluído um Centro Comunitário, que será instalado no residencial Comandante Taylor. O córrego da Independência/Gaivotas também receberá serviços de urbanização e paisagismo.”


segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Morre estudante brasileiro achado em piscina nos EUA

Fonte:Folhapress

PUBLICADO EM 13/09/14 - 18h01

Jovem de 20 anos estudava lazer e turismo na USP Leste e havia viajado na sexta-feira passada (5) para apresentar um artigo sobre Paraisópolis


Morreu neste sábado (13) o estudante Douglas Ribeiro, que havia sido encontrado inconsciente em uma piscina de hotel na cidade de Mobile, no Alabama (EUA).
O jovem de 20 anos estudava lazer e turismo na USP Leste e havia viajado na sexta-feira passada (5) para apresentar um artigo sobre Paraisópolis, favela da zona oeste de SP onde morava, em um congresso internacional.
Foi encontrado afogado na piscina no sábado (6) e estava internado em estado grave na UTI do hospital Mobile Infirmary desde então.
Leidiane Silveira, amiga de Douglas, contou que ele havia ficado submerso por vários minutos, até que foi encontrado por funcionários do hotel. Não se sabe mais detalhes do afogamento.
A mãe do jovem, Luciene Ribeiro, conseguiu comprar passagem para os EUA com a ajuda de amigos, e fez a viagem nesta sexta (12). O Itamaraty agiu junto ao consulado americano para facilitar a obtenção de um visto emergencial para ela.
A viagem de Douglas havia sido comprada com a ajuda do pai de uma amiga, que é empresário, e de uma vaquinha na internet.
O jovem já havia apresentado uma pesquisa própria sobre turismo nas favelas na Universidade de Potsdam, na Alemanha, em abril deste ano, e tinha outra viagem marcada em outubro para Portugal, para apresentar outra pesquisa sua.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Moradora de Paraisópolis faz vaquinha para pagar universidade em Portugal

Do UOL: http://educacao.uol.com.br/noticias/2014/08/20/moradora-de-paraisopolis-faz-vaquinha-para-pagar-universidade-em-portugal.htm
No início deste mês, Leidiane Silveira, 21, foi surpreendida duas vezes: primeiro com a aprovação no curso de economia da Universidade de Coimbra, em Portugal, e, em seguida, ao descobrir que o valor cobrado pela instituição é bem maior do que o esperado.
Ela foi selecionada pela instituição com a sua nota do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). A universidade anunciou a adesão ao exame brasileiro em abril e foi a primeira instituição estrangeira a aceitá-lo como forma de ingresso. No processo de maio deste ano foram ofertadas mais de 600 vagas para estudantes do Brasil.
"Eu não estava ciente de todas as taxas quando realizei minha inscrição, imaginei que houvesse alguma taxa, mas não sabia que chegaria a ser 7.000 euros por ano [o equivalente a R$ 21 mil]", diz Leidiane, que mora em Paraisópolis, na zona sul de São Paulo.
Diante das taxas inesperadas, Leidiane foi estimulada pelos colegas a fazer uma vaquinha virtual para tentar arrecadar R$ 6.400, que corresponde a cerca de 30% da primeira anuidade, que deve ser paga já em setembro.
"Na vaquinha, eu peço inicialmente o valor para concretizar a matrícula, mas paralelamente, estou em busca de instituições ou pessoas físicas que possam me financiar durante esse período da faculdade, para que eu possa pagar tudo depois. E, simultaneamente, farei todo o possível para conseguir uma bolsa na própria universidade através de bons rendimentos", afirma.
Leidiane foi bolsista nos três anos do ensino médio do colégio Pueri Domus e chegou a cursar um ano de economia na PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) com bolsa do Prouni (Programa Universidade Para Todos). O benefício na universidade foi perdido porque a família ultrapassou a renda máxima de um salário mínimo e meio por pessoa exigido pelo programa federal.
Sem dinheiro para a mensalidade na PUC, ela decidiu tentar a seleção na Universidade de Coimbra como forma de juntar dois sonhos: fazer faculdade e estudar fora do país. "Pensava em fazer um período de intercâmbio em 2015 ou 2016. E por uma feliz coincidência, vi nessas vagas abertas na UC uma oportunidade maior ainda, pois não seria seis meses ou um ano, mas toda a graduação fora do país em uma ótima universidade, e eu acredito fielmente que é uma enorme oportunidade tanto curricular como pessoal".
vaquinha ficará no ar até o dia 19 de setembro, pouco antes do início das aulas. Até a noite de terça (19), ela tinha arrecadado pouco mais de 20% dos R$ 6.400. Além dos 30% da anuidade, ela procura ajuda financeira para a passagem aérea, as demais taxas da universidade e as despesas para morar em Portugal.
"Não quero nada de graça nem de 'mão beijada'. Estou atrás de alguém que possa financiar, mesmo que sob contrato e com as taxas de juros aproximadas das do mercado atual, e, assim que eu terminar os estudos e começar a trabalhar, eu pagarei tudo devidamente como o combinado", diz.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

CEU Paraisópolis apresenta hoje a peça, Noches Lejos de Los Andes... o Diálogos con mi Dentista


Sinopse: O exílio na Europa, especialmente na França, tem sido e é ainda a sorte de milhares de latino-americanos, é esta experiência, banal e singular ao mesmo tempo, que é contada na peça, a solidão de quem acaba de chegar à cidade luz e os laços complexos que pouco a pouco se estabelecem entre a atriz e os habitantes da dita cidade. A nostalgia da infância ressurge, ressuscitando diante de nossos olhos, a longínqua América.

Ficha Técnica - Texto e Interpretação: Susana Lastreto Prieto Acompanhamento no bandoneón: Annabel de Courson Texto da canção: Hugo Paviot

Duração: 80 min Recomendação: 14 anos

05 de agosto às 20h  
Local: CEU Paraisópolis
Rua Doutor José Augusto De Souza E Silva, s/n - Jardim Parque Morumbi 
Tel. 11 3501 5660 
Capacidade do teatro: 196 lugare

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Templo de Salomão será inaugurado hoje

A construção do templo custou R$ 680 Milhões à Igreja Universal, ocupa uma área de 35 mil metros quadrados, equivalente a cinco campos de futebol, são quatro vezes maior que o Santuário de Aparecida, com capacidade para até 10 mil pessoas sentadas.

   A inauguração contará com a presença da presidente Dilma Rousseff, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e o prefeito da cidade, Fernando Haddad, além da presença de músicos e artistas como Gugu Liberato, Marcelo Rezende entre outros.
                                                                                                                                                  Reprodução
                                                                                                                                                 
                                                                                                                                                  Reprodução

Reprodução







Plano Diretor será sancionado hoje pelo o prefeito Fernando Haddad


O prefeito Fernando Haddad sancionará na tarde desta quinta-feira (31) o novo Plano Diretor Estratégico (PDE), que traz as diretrizes para orientar o desenvolvimento e o crescimento da cidade de São Paulo pelos próximos 16 anos. A sanção do plano, que substitui o vigente aprovado em 2002 e que começou a ser discutido de forma participativa desde abril do ano passado, acontece em cerimônia no Auditório Ibirapuera Oscar Niemeyer, no Ibirapuera, zona sul. A solenidade será transmitida ao vivo pelo portal da Prefeitura ne Internet.

Ilustração Folha UOL
 Ilustração Folha UOL
 Ilustração Folha UOL

CEU Paraisópolis apresenta "Madre Murga, Murga Madre – Murga Madre (Uruguai)"

Sinopse: O Grupo realiza um passeio pela música popular uruguaia, a travessia por esse gênero incursiona na vida do homem de carnaval, suas alegrias e penas. Diferentemente do espetáculo carnavalesco, em Murga Madre não há uma multidão no palco, somente dois atores. Também, em contraposição à festa de reis, não há “coros” nem grande variedade de figurinos. No entanto, os dois artistas conseguem transmitir o sabor e a intensidade que a cada fevereiro se apodera dos tablados.
Ficha Técnica – Dramaturgia: Pablo Routin Direção: Fernando Toja Elenco: Pablo Routin e Edú Lombardo

Data: 2/08/2014, às 19:00
Local: CEU Paraisópolis
Rua Doutor José Augusto De Souza E Silva, s/n
São Paulo – SP
Duração: 60 min Recomendação: 14 anos