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sexta-feira, 8 de junho de 2012

Sarau do Binho foi fechado, bares de Paraisópolis podem ser os próximos

Muitos bares da comunidade de Paraisópolis funcionam sem alvará da prefeitura, se o Sarau do Binho que tem uma importância tão grande para cultura da nossa região foi fechado, o que impede a prefeitura fechar as dezenas de bares da nossa comunidade que também não tem alvará de funcionamento? 
Paraisópolis apoia o Sarau do Binho, tamos juntos e misturado!

PZS Apóia Sarau do Binho!

Luiz Flavio
Editor do Jornal Paraisópolis News




Depoimentos:

Mano Brown Apoia Sarau do Binho









 Se fechar o "Sarau do Binho", Kassab vai direto para a lata de lixo da história de São Paulo 


O sarau mais antigo de São Paulo foi fechado e pede 
ajuda



Kassab fecha bar do Sarau do Binho

Publicado em 30 de maio de 2012   ·   48 comentários
Há oito anos, licenças de funcionamento são negadas  pela prefeitura
Por Igor Carvalho
A ideia é que o sarau se torne itinerante (Foto: Igor Carvalho)
Quem esteve na última segunda-feira (28) no Bar do Binho pode ter assistido à última edição do tradicional Sarau do Binho. Isso porque a Prefeitura de São Paulo fechou o bar, por conta de multas acumuladas pelo estabelecimento, que chegam a R$ 8 mil.
Faz oito anos que o poeta Binho reúne amigos, escritores e moradores do Campo Limpo em seu sarau, no mesmo bar que, agora, seguirá de portas fechadas e deve ser entregue a outra função comercial. O bar, reconhecido, por frequentadores, como um ponto de cultura na região, por conta das atividades promovidas no local, nunca teve uma autorização para funcionar. Robson Padial, o Binho, explica: “Eu sempre pedi, mas faz oito anos que me dão inúmeras desculpas para fornecer a licença, é incrível, quando eu arrumo algo, eles alegam outra coisa”.
O poeta acredita que pode ser vítima de perseguição. “Estão procurando pêlo em ovo, agora alegaram [a Prefeitura de São Paulo] que o zoneamento da área não permite esse tipo de estabelecimento, mas na mesma rua do nosso bar existe outro, com autorização.” A ideia é que o sarau se torne um evento itinerante, porém não há, ainda, um local definido para a próxima edição. Binho vai recorrer das multas e continuará em busca da autorização.
Com a carência de pontos culturais nas periferias, os saraus se tornaram uma alternativa aos moradores dessas regiões. Normalmente os eventos ocorrem em bares, pois não há aparelhos públicos que deem conta da demanda de poetas e público, segundo os organizadores.
Histórico de contestação
Nesses oito anos de sarau, Binho já provocou algumas reflexões e polêmicas no bairro. Recentemente, durante o período eleitoral, ele decidiu pegar as placas de publicidade dos candidatos, amarradas nos postes, pintar e escrever poesias por cima, depois ele as pendurava novamente. “A arte tem que ter uma transgressão, senão não é arte”, explica o poeta. Binho também tenta manter, com dinheiro próprio e apoio da comunidade, uma biblioteca no Campo Limpo, para estimular a leitura entre os jovens.



ALERTA GERAL: A PREFEITURA FECHOU O SARAU DO BINHO
sexta-feira, 1 de junho de 2012
SÉRGIO VAZ - Vira-Lata da Literatura
Povo lindo, povo inteligente,

parece absurdo, mas não é, a prefeitura de São Paulo fechou o Sarau do Binho. A notícia não é só triste, mas é preocupante, como podem fechar um espaço cultural como o do Binho? Estamos aqui alertando a todos e pressionar a prefeitura a reabrir o bar e liberar a documentação necessária, porém o espaço já tem que ser aberto imediatamente para que as atividades culturais não sejam interrompidas com prejuízo à comunidade.Temos todos que nos mobilizar.
A gente trabalha na quebrada quase sem apoio nenhum, constrói coletivos com a força das mãos das pessoas, e é isso que a gente recebe em troca?
A Periferia tem que se organizar.
Por enquanto fica o protesto. Estamos aguardando informações e instruções.

O SARAU DO BINHO VIVE!

Tamo junto. Até o osso.

Sergio vaz




quinta-feira, 7 de junho de 2012

Momentos do Incêndio do Canteiro da "Delta-Carioca" em Paraisópolis




Localizado na Av. Perimetral, o escritório do consórcio "Delta-Carioca" empresa responsável pela urbanização da comunidade Paraisópolis foi totalmente destruído pelas chamas. O incêndio aconteceu no início da tarde do dia 02 de junho, por volta das 13:hs

Em Paraisópolis, Chico Bento pede pais presentes na educação


Fonte: Meio e Mensagem



Parceria entre movimento Educar para Crescer e Estúdios Maurício de Sousa disponibiliza histórias em quadrinhos com para atingir ao pais


NATHALIE URSINI 


O caipira mais famoso das histórias em quadrinho, Chico Bento, está de recuperação na escola. A professora Dona Marocas convoca sua mãe para uma conversa, onde explica a importância da participação dos pais no processo de educação e ensino das crianças. Esse é o tema da HQ criada através da parceria entre o movimento Educar para Crescer, da Editora Abril, e dos Estúdios Maurício de Sousa. 

A parceria disponibiliza cartilhas para download no site, para quem quiser baixar e imprimir em formato de gibi. O movimento Educar para Crescer distribui 10 milhões de cartilhas por ano, veiculadas pelas revistas da Editora Abril, além de impressas pela iniciativa privada e pessoas físicas de todo o país.

Deputado Federal Carlos Zarattini participa de missa de Corpus Christ em Paraisópolis

O Deputado Federal Carlos Zarattini, participou nesta manhã da missa de corpus christi celebrada pelo padre Luciano na Paróquia São José. Depois da cerimônia Zarattini se reuniu com lideranças de Paraisópolis para discutir problemas da comunidade. Dos assuntos abordados em reunião, moradores reclamaram principalmente do crescente aumento nos preços das contas de energia. O monotrilho também foi discutido.
Foto Luiz Flavio
Padre Luciano fez homenagem a Dom Veremundo Toth e fala do seu amor e trabalho por Paraisópolis
Foto Luiz Flavio
Deputado Federal Carlos Zarattini e Padre Luciano depois da missa de Corpus Christi
 Foto Luiz Flavio

Carlos Zarattini e Zé Maria. Depois da reunião com moradores e lideranças, Deputado toma café na padaria do Daminhão

Programa Einstein na Comunidade de Paraisópolis - Informar para Formar

Conheça um pouco sobre o trabalho feito pelo Hospital Israelita Albert Einstein na Comunidade Paraisópolis - pura Responsabilidade Social.


terça-feira, 5 de junho de 2012

Dentro das casas de Paraisópolis


  • Fonte: 
  • http://blogs.estadao.com.br/jt-cidades/dentro-das-casas-de-paraisopolis/


  • 4 de junho de 2012 | 
  • 23h04 
  • GIO MENDES

    Moradores da Favela de Paraisópolis, na região do Morumbi, zona sul de São Paulo, abriram as portas de suas casas para a fotógrafa Renata Castello Branco, de 56 anos, retratar a criatividade com que decoram seus lares.
    Após um ano e meio de trabalho, Renata reuniu 95 fotos do interior das residências para fazer a exposição Paraisópolis: uma cidade dentro da outra, que será inaugurada hoje para convidados no Sesc Pompeia, na zona oeste, e a partir de amanhã estará aberta ao público. Em agosto, a mostra fotográfica será exibida no Centro Educacional Unificado (CEU) Paraisópolis.
    Segundo Renata, a ideia para a mostra fotográfica surgiu depois que ela viu uma exposição com retrospectiva das obras do artista plástico carioca Hélio Oiticica ((1937-1980). “Eu estava vendo o trabalho dele com os parangolés e li um texto no qual o Oiticica falava que a origem deles vinha da estrutura fragmentária das favelas, como uma colcha de retalhos.”
    Os parangolés eram capas coloridas usadas sobre os corpos de dançarinos e chamadas por Oiticica de “pinturas vivas e ambulantes”. O artista criou a peça nos anos 60, quando começou a frequentar o Morro da Mangueira no Rio de Janeiro.
    Em 1965, Oiticica foi expulso de uma mostra no Museu de Arte Moderna do Rio porque levou integrantes da escola de samba Estação Primeira de Mangueira vestidos com parangolés ao evento.
    Renata, que já tinha feito uma foto geral da Favela Paraisópolis para seu arquivo alguns anos antes, contou com a ajuda de um guia da comunidade conhecido como Negro San para percorrer cerca de 400 residências em uma área conhecida como Grotinho.
    “O meu interesse foi mostrar espaços que eram internamente estruturados. As casas são bem decoradas, de acordo com a estética de cada morador, e têm uma alegoria de cores vivas”, disse.
    Foram cerca de 4 mil fotos feitas dentro de 84 casas de Paraisópolis.
    “As pessoas tinham orgulho de mostrar suas casas”, contou a fotógrafa. Em entrevista ao Jornal da Tarde, duas moradoras de Paraisópolis disseram que adoraram ter seus imóveis retratados por Renata.
    “Para ser sincera com você, eu me senti bem importante naquele momento”, disse a estudante Luciana Nunes dos Santos, de 17 anos, que mora sozinha com um casal de filhos.
    A exposição começa com um video mapping (projeções em superfícies tridimensionais) da comunidade do Grotinho, onde foram feitas as fotos em Paraisópolis.
    Depois de conferir as 95 fotografias – que serão expostas em quatro tamanhos, entre 50x75cm e 160x240cm -, o visitante poderá ver vídeos com depoimentos de alguns moradores e de membros da equipe de Renata, que serão transmitidos em seis televisores com fones de ouvido.
    “Os moradores falaram porque organizaram os espaços de suas casas daquela maneira”, disse Renata.

    domingo, 3 de junho de 2012

    Memórias da Coordenação

    Fonte: http://www.saopaulocalling.org/blog/view/ded0bf02-4410-43b8-a8f5-f83f8c6275ff
    por Maria Teresa Diniz dos Santos
    Postado em 28/05/2012 



    Era início de 2005 e o Projeto Paraisópolis ganhava corpo no Programa de Urbanização de Favelas da Secretaria Municipal de Habitação (Sehab).  A decisão era: urbanizar Paraisópolis é prioridade.  As comunidades Paraisópolis, Jardim Colombo e Porto Seguro – que ocupam grande parte do território do Loteamento Paraizópolis criado na década de 1920 – haviam esperado tempo demais.  


    A assessoria jurídica da Sehab, com muita dedicação ao estudo do caso, havia construído a justificativa que dava amparo legal ao investimento de recursos públicos em área particular.  Mas o projeto de urbanismo precisava ser revisado, pois impunha a remoção de cerca de 30% dos domicílios, propondo o reassentamento das famílias em áreas de propriedade particular e de topografia e geologia complexas, o que resultaria em desapropriação e obras morosas e custosas.  Nascia o Projeto Paraisópolis, com uma pequena sala no 11º andar do Edifício Martinelli, um cronograma elaborado utilizando o programa MS Project colado na parede e muita vontade de trabalhar.  


    A revisão dos projetos possibilitou a elaboração dos Planos de Urbanização das Zonas Especiais de Interesse Social (ZEIS), que foram aprovados pelos Conselhos Gestores das comunidades, pela Comissão de Avaliação de Empreendimentos de Habitação de Interesse Social (CAEHIS) e pelo Prefeito, por meio de três decretos.  Quando tínhamos parte dos projetos básicos finalizados, preparamos a licitação da primeira etapa de obras.  Eram intervenções pontuais, o que os escassos recursos financeiros da época permitiam.  Aquele foi um ano de orçamento justo e foram reservados para as obras em Paraisópolis aproximadamente R$ 15 milhões.  


    Naquela época, o maior desafio do projeto era o reassentamento de 11% das famílias.  Não havia área pública na região nem recurso previsto para desapropriação de terrenos.  O boato ressoava: “querem remover toda a população e mandá-la, pouco a pouco, para bem longe do Morumbi”.  As reuniões com a comunidade e com o Conselho Gestor eram duras, muitas vezes frustrantes e exaustivas.  Por que eles deveriam acreditar na Prefeitura?  Que credibilidade poderíamos exigir dos moradores que há tantos anos ouviam do poder público que a urbanização ia chegar, sem sucesso?


    Enquanto isso, a equipe se debruçava sobre o trabalho, buscando alternativas para a falta de recursos financeiros – ou outros recursos técnicos!  Conseguimos as duas coisas.  Hoje temos legislação específica que permite que os proprietários originais dos lotes de Paraisópolis os doem para a Municipalidade, em troca de perdão de dívidas ou certificado de transferência do direito de construir, um importante instrumento urbanístico previsto no Estatuto da Cidade.  Vários lotes doados, que se encontravam desocupados, receberam projetos habitacionais para abrigar os moradores da comunidade que tiveram de deixar suas casas em áreas de risco.  Além disso, ao custo de R$ 35 milhões, desapropriamos mais de 150 mil metros quadrados onde estão sendo construídos apartamentos, equipamentos sociais e o sistema viário que faz a conexão entre a ocupação já consolidada, o novo parcelamento e o bairro que os circunda.


    É fundamental dizer que outras esferas de governo se juntaram a nós, parcerias do cotidiano lideradas pela Sabesp, pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) e pela Caixa Econômica Federal (CEF).  São órgãos executores ou financiadores, cuja competência pela execução da política habitacional deve ser partilhada com o município.  Além destes, também atuam nas intervenções as concessionárias de energia – Eletropaulo; gás – Comgás; e telefone – Telefônica.  A administração e compatibilização de todos esses projetos e prazos não é tarefa fácil. 


    Durante todo esse processo de trabalho, aprendemos muito com os moradores.  Primordialmente, estamos aprendendo, continuamente, a dialogar com eles para entender quais são seus desejos e necessidades.  Afinal, a rigidez ou a certeza nunca foram virtudes deste projeto, que vem sendo construído a partir de cenários diversos e, às vezes, opostos.  Compreendemos que a flexibilidade pode ser uma bela parceira em projetos dessa natureza e porte e tentamos tirar partido dessa qualidade.


    O que isso quer dizer, na prática?  Que não aceitamos – pelo menos com facilidade – o “não pode” como resposta.  Um exemplo?  “A Sehab não pode construir comércios, apenas habitação.”  E como solucionar o reassentamento dos comércios que serão removidos?  Extinguimos a fonte de renda desse morador, além de interferirmos duramente na dinâmica local, altamente qualificada pelo uso misto?  Mostramos que “pode sim” com o Jardim Colombo A e o Condomínio Paraisópolis D.  Outra barreira superada: “a Sehab não pode construir equipamentos públicos”.  Hoje temos o Centro de Educação Infantil – CEI Cedrinho V, a Assistência Médica Ambulatorial (AMA), a Unidade Básica de Saúde (UBS), o Centro de Atendimento Psicossocial (CAPS), e em breve serão inaugurados Telecentro, Ponto de Leitura, Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) e sala de dança.  São serviços que serão oferecidos nos edifícios de habitação de interesse social (HIS), com acesso público e separado daquele dos moradores dos apartamentos.  Além disso, outras secretarias têm sido responsáveis pela construção de várias escolas, com destaque para o Centro Educacional Unificado (CEU) e a Escola Técnica do Centro Paula Souza (ETEC).  


    Em setembro de 2009, comemoramos a primeira entrega de unidades habitacionais dentro de Paraisópolis.  Estávamos na segunda fase de obras, iniciada em março de 2008.  O projeto arquitetônico do Condomínio Paraisópolis F, no Grotinho, apresenta diversos avanços se comparado aos projetos que vinham sendo desenvolvidos, em acréscimo ao uso misto já citado.  As janelas, de alumínio, correm por fora permitindo amplas iluminação e ventilação.  Os botijões de gás foram eliminados, adotando-se o gás natural de rua que também aquece a água dos chuveiros.  A concepção do projeto estrutural permite que as paredes internas, de vedação, possam ser removidas trazendo flexibilidade ao apartamento.  É a tal flexibilidade que perseguimos – e que parece gostar de nós.  


    A segunda etapa encerrou-se em dezembro de 2010, quando a terceira etapa havia acabado de começar.  Deixamos para trás os números assustadores de 2005, quando apenas 17% dos domicílios contavam com coleta de esgoto domiciliar.  Atualmente, mais de 75% já contam com o serviço e os 100% serão alcançados até o final da terceira etapa de urbanização.  Ainda é necessário executar obras importantes, que trarão mais vitalidade para a comunidade: parques lineares do Antonico e do Colombo; Escola de Música, Pavilhão Social e Parque Sanfona no Grotão; Praça do Grotinho; e abertura de novas vias que permitirão a implantação de infraestrutura e a ampliação da coleta de lixo e do transporte público em regiões de difícil acesso.  


    E mesmo com a conclusão das obras de urbanização, sabemos que nossa missão não termina aí, afinal, Paraisópolis é uma comunidade mais populosa que a grande maioria das cidades brasileiras.  Por isso, como o Estatuto da Cidade estabelece que todos os municípios com mais de 20.000 habitantes devem formular ou revisar seu plano diretor, elaboramos também um Plano Urbanístico para esse território, com propostas de médio e longo prazo que vêm sendo discutidas com a população. 


    Iniciado em 2008, o Plano Urbanístico de Paraisópolis tinha também como objetivo costurar os projetos conquistados desde 2005. Parte de seus resultados foi apresentada na 4ª Bienal Internacional de Arquitetura de Roterdã, cuja ênfase de discussão era a sustentabilidade da condição urbana, intitulada “Open City: Designing Coexistence”.  Desde então, continuamos a detalhar esse plano mantendo nossos pés no chão e a cabeça nas nuvens. Objetividade nas obras em andamento sem deixar de almejar futuras melhorias. Apresentamos um pouquinho dessa história durante a Jornada da Habitação.  Seu formato segue uma tendência que Paraisópolis já experimenta desde 2006:  visitas de delegações estrangeiras, alunos de faculdades de arquitetura do mundo inteiro debatendo projeto de habitação e urbanização, participação constante e efetiva da população, incluindo sessões de cinema ao ar livre.  Temos crescido muito com as discussões e as críticas, que abrem nossos olhos para todos os cantos ou nos apresentam novidades que possam ser bem-vindas.  


    Não foi diferente com nossos convidados de Mumbai.  Temas como empreendedorismo e autoconstrução, tão presentes aqui e na comunidade indiana Dharavi, são ricos, complexos e cheios de nuances que podem ser detalhadas e exploradas.  Essa sensação de serem tão parecidos e tão diferentes de nós despertou o interesse de muita gente.  É aquele misto de curiosidade e inocência que agita as coisas, que move o mundo, que nos faz crescer e evoluir. 


    A Jornada da Habitação em Paraisópolis juntou festa com papo sério, música com artesanato, comida boa com arquitetura, acarajé com lassi de manga.  E ao som dos DJs local e internacional, assistimos a Bollywood na tela do Grotinho.  Participações acaloradas nos debates deixaram claro o interesse dos participantes.  E não foi apenas o evento do final de semana o prestigiado: a exposição também recebeu a visita de muita gente motivada a conhecer o que acontece nas comunidades paulistanas ou internacionais durante os 30 dias que ficou ali.  


    Já são quase oito anos de trabalho intenso, recheados de conquistas e desafios.  De lá para cá, muito mudou, inclusive o nosso país.  Hoje temos outra situação, as prioridades mudaram, os consensos foram se ajustando à nova realidade.  Nas reuniões do conselho gestor a habitação deixou de ser a preocupação única, abrindo espaço para outras necessidades básicas como educação, saúde, mobilidade e até – o que nos deixa muito felizes – a ocupação irregular das calçadas e o projeto urbanístico a ser detalhado para cada uma delas.  E agora, as lideranças de Paraisópolis discutem as similaridades que possuem com os colegas de Dharavi, e se interessam em pesquisar formas de ajudar os indianos em seus processos de urbanização, para que eles também alcancem as melhorias que assistimos por aqui.  É como, sabiamente, diz o ditado popular: nada como um dia após o outro.